Um dia frio, um submarino e…onde estou?

Novembro 6, 2007

Tudo começou quando eu e minha esposa resolvemos, em nosso segundo dia em Buenos Aires, caminhar pela Calle Florida e arredores. No dia em que chegamos à capital, estranhamente fazia um calor fora do comum (detalhe: estávamos na última semana de julho, ou seja, inverno rigoroso). Então, tive a “idéia” brilhante: “Amanhã não irei me agasalhar tanto”.  Saímos com toda a coragem do mundo, achando que estávamos passeando em Maceió. Logo nos primeiros passos, já sentimos aquele ventinho “estranho” se aprochegando. Não tivemos dúvida. Chamamos um taxi. Chegando na Florida, eis que o taxista só aponta onde começaria a rua, informando-nos que não teria condições de chegar mais perto do que aquilo. Pois é, mesmo assim, eu consegui! Eu errei o caminho. O frio congelou meu cérebro. Olhava o mapa como quem olha um punhado de rabiscos sem qualquer sentido. Entramos numa rua que não estava em nossos planos e encontramos uma lojinha que vendia partituras de tango. Ufa, agora ficaríamos num lugar quente escolhendo quais delas compraríamos. Só havia um pequeno detalhe: a loja ainda não estava aberta. Foi então que o nosso amigo vento deu aquele tapa na nossa cara, dizendo: “Não foi dessa vez, hein!”.  Esse tapa fez eu me lembrar que o Cafe Tortoni ficava “perto” da Florida. Olhei para o mapa, olhei para a rua em que nos encontrávamos e nada. Criei coragem e pedi a um transeunte como chegar ao café. Até que enfim uma boa notícia! Tortoni estava mais próximo do que imaginávamos. Resolvemos que tomariamos algo para queimar a goela, voltaríamos para o hotel e nos vestiríamos adequadamente. Chegando ao local, eu queria tirar uma foto da fachada, mas quem disse que eu tinha coragem de ficar mais alguns segundos congelando do lado de fora? Agora sim, sentindo o sangue novamente correr em minhas veias, olhava o cardápio imaginando as mais deliciosas guloseimas que estariam por vir… (obs.: recém havia tomado café da manhã).

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Sabia que lá era muito famoso o chocolate, e quis dar uma de sabe-tudo, pensando: “Se o chocolate é bom, o “submarino” deve ser muito melhor”. E claro, não podiam faltar os churros. Pois é…. os churros não faltaram. Mas outro detalhe importantíssimo sim. Meu espanhol é pré-iniciante-bebê. Lendo o menu, ainda cometi o erro de tentar confirmar com o garçom. Pedi a ele se o chocolate que estava escrito ao lado da palavra churros era para beber (imaginando se tratar de um kit do tipo: chocolate quente + churros). Ele me respondeu que sim. Então prontamente informei que só queria o churros e um submarino. Quando nosso pedido chegou à mesa, vi o olhar de minha esposa pensando ” Passarei fome durante cinco dias”. O “famoso” submarino era composto de leite quente (pelo menos isso!!!) e um biscoito wafer do tipo “Mirabel”. Aquilo nem com reza brava iria ficar com algum sabor diferente de leite com um biscoito “boiando”.

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Nosso churros vieram com uma tonelada de açúcar e sem recheio. Depois de uns cinco minutos, vi um cidadão fazendo o pedido corretamente. O chocolate, que eu dispensei, era servido em um bule, para que os churros fossem nele mergulhados. Moral da história: não passe frio em Buenos Aires.

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